quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Perguntas capciosas - Macos 12:14

Não é novidade que, de um modo geral, os crentes mais dedicados estão sempre vigilantes diante de alguma oportunidade para falarem da sua fé, do amor de Deus, de explicar coisas da Bíblia, do Reino dos Céus, da vida, da morte e tudo o mais. Só que nesse desejo de pregar muitas vezes acabam caindo em armadilhas. Frequentemente são criadas situações  maliciosas, com roupagem de diálogo e legítima curiosidade, mas que na verdade seu objetivo não é o conhecimento, mas pegar o outro em alguma falha ou simplesmente ridicularizá-lo.

Vemos na Bíblia que em momento algum Jesus se sentiu obrigado a dizer nada que não quisesse realmente dizer. Ele só falava o que convinha, só respondia a quem fosse aprender, só abria a boca quando achava que devia. Jesus não agia por provocação. Ele sempre foi o dono da situação. 

Jesus sabia a diferença entre curiosidade sincera e questionamento capcioso. Ele não tinha dificuldade alguma em deixar uma pessoa sem resposta, a ver navios, se achasse que deveria.

Precisamos aprender a andar na mesma liberdade e auto controle. Quantas vezes nos deixamos fisgar por perguntas maliciosas, de gente que só quer debochar e se divertir com uma situação de discórdia. 

Certa vez perguntaram a Jesus, depois que ele efetuou uma cura: "Com que autoridade fazes essas coisas?"  Não seria essa uma ótima oportunidade de "testemunhar"? Para muitos de nós, ingênuos, seria. Só que Jesus achou que aquelas pessoas não tinham interesse sincero no tema, então decidiu não atirar pérolas aos porcos. Ele respondeu: "Bem, vou fazer também uma pergunta para vocês e se vocês responderem eu respondo a que me perguntaram. Digam: o batismo de João Batista era de Deus ou era dos homens?"  Os questionadores temeram responder porque se dissessem que era coisa de Deus, Jesus perguntaria: "Então porque vocês não creram?"  Mas se dissessem que era coisa dos homens também ficariam em maus lençóis perante o povo porque o povo respeitava muito João e acreditava que ele era um profeta. Então, espertamente, disseram a Jesus: "Não sabemos responder essa pergunta." Ele, por sua vez, disse: "Então também não digo com que autoridade faço as curas." E pronto. Ele não revelava as profundezas de Deus para pessoas que não queriam saber de Deus. 

Vemos outra situação onde as pessoas queriam fazer Jesus se enredar com declarações comprometedoras. Foi quando, depois de muitos elogios para preparar o terreno e cegar o Mestre - essa tática funciona muito com os seres humanos - eles perguntaram se era correto pagar imposto a César.  Ora, os judeus estavam sob domínio romano. Se Jesus dissesse que era errado, seria visto como se estivesse se insurgindo contra Roma e incitando a desobediência. Se dissesse que era correto, seria visto como alguém que estava traindo o próprio povo, seus patrícios que odiavam o dominador romano. Jesus respondeu sabiamente e a conversa encerrou ali. "Vocês devem dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." 

Acredito que precisamos dessa sabedoria, de encerrar conversas infrutíferas. Podemos gastar muitas horas com quem tem o coração sincero, como Filipe com o eunuco. Ou podemos deixar os "espertinhos" pra lá, sem resposta. Não estaremos incorrendo em erro. 

Claro que é difícil não entrar em uma discussão cujo assunto mexe tanto com o nosso emocional. Mas podemos aprender a não morder as iscas de Satanás. Não precisamos estar ansiosos por coisa alguma, nem mesmo para testemunhar!  Porque a ansiedade é  uma péssima orientadora. 

Nem toda pergunta MERECE ser respondida.

Cristina

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