domingo, 28 de abril de 2013

Força de expressão

Nossa comunicação está repleta de figuras de linguagem, jogos de palavras e "forças de expressão." Por exemplo, quando eu falo para alguém que "a minha mãe fez aniversário" estou usando uma "força de expressão". Igualmente, quando falamos "a minha igreja", "o meu colégio" ou "o meu clube" acontece mesma coisa: nem a igreja, nem o colégio nem o clube nos pertencem. O termo "meu" é só uma forma de me expressar que não deve ser entendida ao pé da letra porque não condiz com a realidade.

Da mesma forma, quando dizemos que estamos "fazendo a obra de Deus", entendo isso como uma força de expressão. Nós não fazemos a obra de Deus. A obra de Deus é Deus quem faz e ele dá conta de tudo sozinho. Veja o que diz Isaías:

"Viu que aí não existia pessoa alguma, e admirou-se de que ninguém interviesse. Então foi seu próprio braço que lhe veio em auxílio, e sua justiça que lhe serviu de apoio." Isaías 59:16

Se Deus é onipotente - e é! - então por quê Jesus fez tanta questão que pregássemos o Evangelho?

Quando Deus quis salvar o apóstolo Paulo não havia nenhum evangelista por perto. Deus não ficou "em apuros" mas ele mesmo se revelou a Paulo e conquistou o teimoso rapaz. Sem intervenção humana.

"Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus." 1 Coríntios 3:9

O que é um cooperador? É aquele que opera junto com alguém. Cooperar é operar conjuntamente. E Deus precisa disso?

Jesus disse que "sem mim, nada vocês poderão fazer" - mas as pessoas entenderam errado e saíram ensinando que "sem nós, Deus nada poderá fazer."  Foram as bem intencionadas campanhas missionárias que nos convenceram disso, de que Deus depende de nós para converter as pessoas e que se não pregarmos elas irão todas para o inferno. Será que é assim mesmo?

É verdade, Deus não precisa. Não precisa, mas escolheu trabalhar conosco por um bom motivo. Ele queria nos mostrar o que é vida abundante e vida abundante é vida com propósito, com um sentido, é vida que transborda para os outros.

Quando anunciamos Jesus, a primeira coisa que acontece não é a salvação dos ouvintes: é a salvação dos pregadores. Quando co-operamos com o Senhor, a seiva dele passa a correr em nossas veias. Como está escrito, Ele é a videira verdadeira na qual fomos enxertados e é nesse labutar que essa seiva da vida abundante passa para nós e altera tudo!  Co-operar com Jesus salva nossa alma da frieza, da futilidade, da falta de perspectiva. Salva nosso emocional de uma visão distorcida da vida e das pessoas, salva-nos do lixo do sistema mundano, salva-nos do inferno interior.

Lavoura de Deus sou eu! Cristo nos mandou pregar o Evangelho em primeiro lugar para dar sentido à nossa vida.

Hoje estou convencida de que embora Jesus quisesse - e quer - salvar o mundo, ao nos escolher como cooperadores ele estava nos vendo como os alvos primeiros dessa obra.

Quando ajudamos alguém, dificilmente podemos ter certeza de que estamos mudando alguma coisa, ajudando de fato. Às vezes corremos o risco de recompensar a preguiça, premiar a irresponsabilidade. Às vezes podemos até estar dando dinheiro para alguém que vai gastá-lo no vício. Jesus não sabia disso? Sabia. Então porque ele disse "Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te pedir emprestado" !?  Mateus 5:42.   Por que não nos mandou verificar primeiro se a pessoa faria jus à nossa ajuda? A resposta é simples: porque essa é uma questão secundária. Ele quer primeiro nos curar.

"Dá a quem te pede...Ama os inimigos... Perdôa...Anda a segunda milha..."  Lemos coisas como essa e deduzimos que Deus está mais preocupado com os outros do que com nossas emoções e nossos direitos.

Se eu perdôo, não estou beneficiando ao ofensor!  Se você reparar, raramente seu perdão resulta em algum benefício objetivo ou palpável para o ofensor. Geralmente ele não serve para nada, não pode ser visto, tocado ou usufruído. "Perdôe" não quer dizer  "beneficie  os outros, agrida-se, sinta-se um tolo porque eu gosto disso". Quando Jesus diz "Perdôe" ele está nos dando um mapa para a felicidade. É a mesma coisa que dizer "deixa os mortos enterrarem seus próprios mortos. Quando a ti, segue-me!"

Co-opere com Deus. Não só porque o mundo precisa, mas porque VOCÊ precisa mais do que todo mundo. Essa é a seiva da vida.  A vida que chega aos frutos, passa primeiro pelos galhos. Nós somos esses galhos:

"Eu sou a videira, vocês são as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada." João 15:5

Quando estendo a mão, oro pelas pessoas e anuncio a Palavra, eu sou a primeira pessoa a ser alcançada pela salvação. Sou a primeira a ser agraciada, assistida, amada, sarada. À vezes o outro é grandemente abençoado mas às vezes não. Ele pode se fechar para Deus, ele pode não querer, ele pode jogar fora a oportunidade. Mas e quanto a mim? Quanto a mim nada estará perdido jamais!

Às vezes tudo o que fizemos parece ter ido para o ralo, mas não é verdade. Ainda que o resultado não tenha sido visto na vida do outro, na minha vida  o resultado será incomensurável.

É certo que assim como a chuva que cai na terra não volta para o céu sem antes regar a terra e fazer florescer seus frutos, a palavra de Deus quando é anunciada por mim jamais retornará ao aconchego do meu coração sem antes ter operado o milagre da vida (Isaías 55:11).

Primeiro você.  Essa é a bênção de que vai.

C.F.


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