sábado, 16 de outubro de 2010

Somos um trabalho "em células?

Certa vez alguém me perguntou se nós somos um trabalho em "células".

Embora o estilo das nossas reuniões seja informal e caseiro, não somos um trabalho em células. Veja por quê:

1- As células estão ligadas a uma igreja central à qual devem prestar relatório, de forma que não há independência ou liberdade; tudo é rigidamente controlado pela igreja. No Caminho da Graça as estações formam grupos bem mais livres, legalmente independentes. Embora estejamos ligados afetivamente ao Pr. Caio Fábio, em Brasília, o relacionamento é mais de amizade compromissada.

2-  No trabalho em células há um padrão, um formato de funcionamento que todas as células devem adotar. No Caminho da Graça somos orientados a respeitar as diferenças. O que funciona em Tocantins nem sempre funciona no Acre. Há estações que se reunem em lanchonetes, há estações em lares, há estações em auditórios alugados, em praças… Há os que se reunem semanalmente, outros de 15 em 15 dias. Há estações que fazem reunioes periodicamente, há as que se reunem só quando dá. Há grupos que se reunem para assistir vídeos, outros preferem debates, outros preferem pregações, outros misturam tudo… Não há cartilha. Cada um faz do seu jeito desde que o Evangelho de Cristo seja o centro e o tema e o alvo. O Pastor Caio não está nem um pouco interessado em fazer clonagem de pessoas.

3- As células visam uniformizar aparência, roupas, jeito de orar, jeito de falar, preferÊncias musicais, jeito de namorar, jeito até de fazer sexo. No Caminho da Graça cada um é incentivado a SER O QUE É  e aceitar quem chega DO JEITO QUE É. Respeitamos a individualidade de cada um.  Pregamos a transformação e conversão sim, mas enquanto isso não acontece não precisamos fingir ser o que não somos. Não estamos em uma fôrma, não somos gado.

4- O trabalho em células visa resultados numéricos e financeiros, há uma imensa pressão sobre os líderes por resultados. No movimento Caminho da Graça estamos livres dessas pressões e cobranças. Tudo o que queremos é viver o Evangelho e  pregar o Evangelho em paz. Não há relatórios, cobranças por números, controle, vigilância, pressões.

5 - Nos trabalhos em células há uma rígida pirâmide de controle que vem desde o pastor. Nós consideramos isso doentio e não aceitamos viver debaixo de tal jugo. O “líder de célula” dá conta da sua vida ao pastor e é totalmente controlado e observado. E ele é orientado a fazer o mesmo com os seus liderados: cobra, pergunta, procura saber, incentiva confissões, controla quem namora com quem e como namora, dize o que pode que não pode, fazer pressão para que ninguém se afaste das reuniões, faz pressão para que os liderados tragam visitantes. O resultado é que as células geralmente funcionam como uma espécie de "sociedade vigiada". Quem não se enquadra é rotulado como rebelde ou não-convertido.  No Caminho da Graça  queremos GERAR CONSCIÊNCIA, NÃO CONTROLE.  No Caminho da Graça não há pânico de que alguém saia do controle.  

6 - Medição de espiritualidade alheia:  Nas células a espiritualidade do líder é medida pelo número de pessoas que ele consegue atrair e conservar. Isso é muito cruel, e injusto. Se a célula não cresce, a culpa é do líder,   alguma coisa errada ele deve estar fazendo, não está orando, não está buscando a Deus, não está se esforçando… Isso é maligno, isso é opressão. Pressão por resultados gera angústia, disputas, vaidades e úlceras. No Caminho da Graça não há qualquer tipo de pressão ou fórmula para medir a espiritualidade de ninguém.

7 - Fomos enviados a pregar o Evangelho, não a abrir franquias de igrejas.

8 -  Não recebemos orientação quanto à tática para trazer mais pessoas para o grupo. Aqui não há tática PARA NADA. Não queremos táticas para fidelizar nem para evangelizar nem para santificar nem para emocionar.

9 - No Caminho da Graça somos orientados a não nos metermos na vida de ninguém. Nós nos dispomos a ouvir quem quer  ser ouvido, ajudar quem quer ajuda. Ninguém tem a obrigação de se expor nem deve ser pressionado a isso. Ninguém tem obrigação de se abrir pra ninguém ou dar satisfação de sua vida se não quiser. Jesus sempre deixou seus discípulos livres, a ponto de perguntar: "quereis vós também retirar-vos?   Assim fazemos.

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