domingo, 11 de abril de 2010

O homem que não blefou


Mateus 8: 11 e 12: "Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes."

Mateus 21:32: "Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer."

Afinal o que é crer em Jesus segundo o Evangelho? Que tipo de fé e essa que Jesus tanto exalta em umas pessoas
mas não encontra em outras que estão sempre com ele?


Jesus estava acostumado ao fato de que muitos que "o seguiam", de fato não o seguiam. Muitos o acompanhavam, tinham curiosidade por ele mas não criam realmente nele como O Messias de Deus.

Na verdade o que vemos hoje em muitos ajuntamentos chamados cristãos é semelhante ao que encontramos nos estádios de futebol: apostadores, torcedores, admiradores, nada mais.

O que Jesus disse, em relação ao centurião romano (Mateus 8 - que nem mesmo em Israel havia visto tanta fé) continua sendo verdade até hoje.

Há pessoas que se aproximam dizendo: "Não sou digno, Senhor! Quem sou eu? Sou apenas pó... Não mereço nada de ti! " - mas quando não se sentem prestigiadas por Jesus de acordo com a "fidelidade devida a um dizimista" ou frequentador de igreja, elas se sentem traídas e injustiçadas pelo Senhor. Há outras que não conseguem acreditar se não houver algo material para elas se ampararem: sal ungido, água do rio Jordão, foto do parente... quinquilharias. Elas, que se intitulam seguidoras do Mestre, não conseguem acreditar no poder de uma simples palavra de Jesus. Desconhecem espírito do Salmo 29:

"A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade... A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR quebra os cedros do Líbano... A voz do SENHOR separa as labaredas do fogo.A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades.A voz do SENHOR faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um fala da sua glória."

Para quem crê, basta a voz do Senhor, ainda que ela não seja perceptível aos ouvidos.

Nesse episódio bíblico registrado por Mateus, somente o centurião romano tinha uma imagem real de Jesus e dele mesmo: "- Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz." Ou seja: eu sei o que é o poder de mandar.

Ele não falou isso para adular Jesus e crescer em seu conceito. Não falou porque era "de bom tom" entre os religiosos. Falou com a verdade do coração. Não era blefe; era fé! Ele achava que Jesus não precisava ir lá mesmo, que bastava uma palavra!

O centurião romano é um exemplo para aqueles que estão acostumados a ouvir a Palavra mas ainda não creram realmente; não entenderam ainda quem Jesus é e não entenderam ainda quem eles mesmos são; falam coisas bonitas mas na "hora hagá" agem em desacordo com o próprio discurso. Por conhecer muita gente assim, de falso discurso, é que Jesus disse que muitos viriam do Oriente e do Ocidente, prostitutas e trambiqueiros, e se fariam presentes no Reino de Deus, enquanto que os "filhos do Reino", os que estavam apenas familiarizados com palavras religiosas, ficariam de fora.

O centurião romano era mais "cristão" do que muitos que viviam no encalço de Jesus mas não absorviam suas palavras:

- Ele tinha um empregado mas o tratava com carinho e humanidade; ele o estimava e quando o viu doente à morte, afligiu-se. Como você trata seus empregados?

- Ele dava testemunho de ser uma pessoa do Bem; até os judeus, que não gostavam dos romanos, disseram a Jesus que o centurião era gente boa, que "merecia um milagre". Que seus vizinhos e parentes dão de você?

- Ele estimava os judeus, que estavam em posição social bem inferior aos romanos na época. Não os olhava de cima para baixo, respeitava seus costumes e religião, contruiu uma sinagoga para eles. Ou seja: no fundo não se achava diferente de ninguém por ocupar uma função social mais elevada entre os homens. Ele sabia que com Deus a conversa é outra.

- Embora os homens lhe louvassem as virtudes, ele mesmo sabia, do fundo do coração, que nao merecia a atenção de Jesus - ao contrário daqueles judeus religiosos, que não entendiam nada; estudavam tanto os livros sagrados mas ainda assim achavam que seria possível alguém merecer o favor do Senhor.

- A fé daquele homem vinha acompanhada de atitude ("obras"). Na "vida real", na hora do "vamos ver", ele teve atitude e postura de quem acredita mesmo no que está falando. Era o caso da obras (atitude) que provam a fé, conforme o apóstolo Paulo. Entenda: para aquele homem dizer que não merecia a atenção de Jesus, segue-se que ele CRIA profundamente em quem Jesus era: o Filho de Deus. E nós sabemos que ele cria não porque ele disse, mas porque ELE DEMONSTROU COM ATITUDES.

As pessoas sabem que você crê em Jesus porque você diz que crê ou porque nas horas graves da vida sua atitude é de quem crê?

A fé sem atitude é morta.

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