quarta-feira, 20 de maio de 2009

Morte na Vida - Diogo Torres


Mesmo que Tu me desses asas ó Deus
Eu não as saberia usar,
Não contemplaria o azul do céu,
Nem a luz do luar.

Tu calcastes os meus pés no chão
Para que eu pudesse sentir o cheiro da Terra,
Para que eu pudesse tocar as gotas que
Formam o orvalho ao amanhecer.

Tudo Tu sabes e sabes os porquês,
Sabes que o céu só é o limite para Aqueles que não lamentam
Em pranto e tristeza
O que irão de ter em suas mesas.

Homem de pouca fé eu sou,
Em meio aos meus anseios
Para com meu Criador,
Que farta de bênçãos
Até os lírios do campo
E que os veste melhor do que reis,
Posto que da terra brota a vida
E do pó da terra nascemos todos.

Tu, só Tu meu Deus sabes
Que as aves não se queimam
Ao alçarem altos vôos,
Pois sabem voar tanto longe do sol,
Fugindo de seus raios,
Quanto longe da água,
Evitando as ondas do mar.

Todavia, eu, homem de pouca fé
Não respeito nem a terra que me destes Para viver,
Desconheço a maneira correta de Proceder
E dia após dia venho a perecer
Em minha enorme ignorância.

Senhor tende piedade de mim!
E com tua infinita misericórdia
Me aconselhe a cada manhã
Para que eu pare de sonhar
Em ter asas para voar.

Não permitas que eu fuja das
Minhas dificuldades, jamais!
Pois ao cair sei que estarás comigo,
Me ensinando a levantar
E a bater a poeira da vida

Põe em meu coração
A certeza de quem sou,
Homem da Terra,
E a certeza de quem Tu és,
Deus dos Céus.

Por isso tudo eu clamo:
Não me deixes perecer,
Vivendo sem sentir,
Tua Graça fluir em mim!

E no fim das contas eu tenho é certeza,
De que a morte foi vencida,
Embora exista morte na vida.

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