sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ele sabe...


Lucas 2:35: “Este menino foi escolhido por Deus tanto para a destruição quanto para a salvação de muita gente em Israel... E a tristeza, como uma espada afiada, cortará o seu coração, Maria.”

Estas estranhas palavras foram proferidas por Simeão, impelido pelo Espírito de Deus, quando José e Maria levaram Jesus ainda bebezinho pela primeira vez ao templo.

A tristeza em seu estado mais agudo não poderia ser mais acertadamente comparada: uma espada afiada cortando o coração. Possivelmente Maria ainda não tinha sentido nada assim e deve ter pensado muito nessas palavras. Ela era jovem, recém casada e estava feliz com seu bebê no colo. Deus estava avisando-a de que o dia difícil chegaria, dia no qual ela precisaria lembrar de antemão que desde sempre o Pai via e entendia completamente o que ela estava passando.

O dia chegou. Acredito que foi quando ela viu seu filho ser humilhado publicamente, torturado e morto da pior forma. Um espetáculo público chocante, enlouquecedor para qualquer mãe. Quando aconteceu, Maria já sabia que Ele sabia. O Deus que vê.

A palavra dita a Maria também foi carinhosamente endereçada a nós se a entendermos assim: que Deus sabe o que é uma espada cortando o coração.

Afirmo que essa é uma das coisas mais difíceis de acreditar: que Deus, assentado entre os querubins, cheio de glória, eterno, incorruptível, pode entender a profundidade e extensão de uma angústia. Em nossa limitada percepçao das coisas esses assuntos nos parecem tão alheios ao mundo majestoso e inatacável de Deus! Mas aquele que fez o espírito do homem e que tem livre curso em seu interior não saberia?

Ele descreveu a sensação de forma certeira antes mesmo que acontecesse até porque o Calvário também cortou o coração de Deus! E mais: enquanto estavam no tempo apresentando a criança, o Calvário era um futuro para Maria e para José mas para Deus sempre foi presente. Antes mesmo da fundação do mundo.

Frequentemente sentimo-nos como que tendo que explicar ao Ser Superior o que são as angústias dos mortais. Já me vi querendo dizer a Deus como me sinto. Tudo bem, é saudável chegar ao Pai e contar; isso é comunhão. Mas que seja como comunhão, como consolo do sentimento de proximidade e da certeza de ser ouvido mas que eu nunca me esqueça: ele sabe.

Sabia da tristeza cortante de Maria quando ela ainda estava feliz! Quando ela mal passava de uma menina com uma criancinha nos braços.

Vive o Senhor! Ele sabe. E com palavras bem melhores que as nossas.

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