sábado, 22 de dezembro de 2007

Infinitamente mais


Várias pessoas se aproximavam de Jesus para lhe fazer perguntas. Nem todas o faziam com pureza de coração. Alguns armavam perguntas com o intuito de faze-lo dizer algo comprometedor do ponto de vista legal ou teológico. Queriam ter de que acusá-lo perante os romanos ou perante os religiosos . Foi assim quando lhe perguntaram sobre a ressurreição. Queriam que ele “confessasse” o quão “descabidos” eram seus ensinamentos. Houve também os que indagaram se seria correto os judeus pagarem impostos ao Imperador romano.


Em todos os casos quem passava por tolo era o que lhe fazia perguntas com intenções inconfessáveis. Algumas vezes Jesus simplesmente se recusava a responde-las, exercendo assim sua liberdade e sabedoria. Ele era sábio falando ou calando. E nunca se sentia obrigado a dizer ou fazer coisa alguma. Todos os seus atos tinham – e têm – um propósito.


Nossos atos também tem motivações e propósitos, ainda que não os percebamos. Ele não só os percebe. Vai além: ele os vê muito claramente:


“Pois entretecestes os meus rins... As trevas e a luz são para ti a mesma coisa!”

Há dias atrás eu estava meditando sobre as situações nas quais as pessoas faziam perguntas e Jesus simplesmente se negava a responde-las:


Mc 11:27-33 – “- Com que autoridade você faz essas coisas? Quem lhe deu autoridade para fazer isso?”


Hoje, ao contrário, minha atenção foi despertada para uma situação na qual alguém lhe dirigiu uma pergunta que, a princípio, parecia não merecer resposta. Se eu não conhecesse o texto diria com antecedência: "- Ah, essa pergunta eu tenho certeza de que ele não vai perder tempo em responder!”

MARCOS 12:


28
Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
29
E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor.
30
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
31
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
32
E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele;
33
E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
34
E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus...

Ora, quem ali não sabia a resposta? Era um doutor da Lei perguntando! Por que Jesus “perdeu seu tempo” respondendo o que aquele homem já sabia?


Ao que me parece aquele homem não tinha intenção alguma de testar Jesus ou lhe preparar cilada. Aquele homem reconheceu, depois de diversas provocações, a imensa sabedoria do Mestre. Acredito que ele conhecia a Palavra de Deus e sentia prazer em tratar das coisas do Reino. Ele queria proximidade com aquele que tão claramente conhecia os corações; queria conversar com Jesus, deliciar-se com coisas excelentes. Estava lá para falar de verdades já tantas vezes faladas mas que na boca do Mestre muito mais doce lhe parecia. Aquele homem estava entre os que não se enfadam com antigas verdades, antes, as saboreiam.


Desejo simples de proximidade com o Mestre, um coração passível de se deslumbrar com a Lei do Senhor, vontade de falar a respeito só porque é bom.


Uma pessoa que não fica “cansada de saber” a vontade de Deus e ainda sente prazer em conversar sobre isso é alguém que DECIDIDAMENTE RECEBE A ATENÇÃO DE JESUS. Desses, o Mestre não se enfada mas para, carinhosamente conversa... e muito mais.


O Senhor terminou o diálogo bem ao seu estilo: levando a pessoa a pensar, pensar longamente, olhar para dentro de si:


“Não estás longe do reino de Deus.”



O que quis dizer com isso?


1. Que a Palavra de Deus é mesmo maravilhosa, mas que não basta conhecê-la intelectualmente;


2. Que se o conhecimento de Deus é deleitoso para você, se sua Palavra desperta seu interesse, você já está bem encaminhado.


“Este é o caminho, andai por ele” - Isaías 30:21


Em poucas palavras Jesus disse tudo o que ele precisava ouvir;
e ele ouviu palavras de vida, que era muito mais do que esperava receber.

Quem se encontra com Jesus sempre sai enriquecido.


Cristina Faraon

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