sábado, 29 de dezembro de 2007

A armadilha dos saduceus.


"Então os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele, e perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; E o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito."


Por pura falta de conhecimento a respeito das Escrituras e do poder de Deus, erramos. Erramos quando enxergamos distância entre "realidade" e Palavra. Erramos quando essa miopia nos leva a tomar decisões incorretas. Erramos ainda quando essa mesma miopia nos imobiliza diante dos desafios da vida.

No texto acima os saduceus colocaram diante de Jesus uma questão que consideravam insolúvel - pelo menos insolúvel seria enquanto se admitisse como verdadeiro o ensino a respeito da ressurreição dos mortos. Nesse episódio, segundo eles, Jesus "teria" que admitir que seus ensinos não poderiam se aplicar a algumas situações. Sendo assim, esses ensinamentos não seriam verdadeiros.

Você nunca se viu em uma encruzilhada semelhante?

Por que as vezes somos tentados a achar que é impossível conciliar a Palavra de Deus com o "varejo" de nossa vida?

Olhemos para nossas questões insolúveis. Olhemos também para o que diz a Palavra de Deus a respeito. Era para vir daí a solução de todas as coisas! Onde está o problema? Onde as peças não se encaixam?

A verdade é que nem sempre olhamos a Palavra em si, mas olhamos nossos conceitos construidos em cima dessa Palavra - conceitos esses frequentemente eivados de equívocos ou "esburacados" pelas lacunas do nosso limitado conhecimento das coisas. Diante de uma construção assim é quase que irresistível acharmos que a vida real não se coaduna com certos ensinamentos.

Mas o que é vida real? E o que é, realmente, ensino de Jesus?

Se os ensinos de Jesus não se aplicam ao nosso "caso real", forçoso é desconfiar de que:


1 - O tal caso real não seja assim tão real quanto pensamos;

2- Ou o tal "ensino" não é de acordo com Jesus, seu amor e sua graça. Podemos ter caído na mesma armadilha em que caíram os saduceus.

Os saduceus rejeitavam o ensino a respeito da ressurreição dos mortos porque PENSAVAM que dentro desse "pacote" estaria incluída a ressurreição de todo um estilo de vida antigo: as mesmas necessidades, os mesmos tipos de relacionamentos, as mesmas convenções... Rejeitavam um ensino apenas porque não o conheciam. PENSAVAM que conheciam.

Olhe agora para a sua própria vida e pense: existe algo na Bíblia que não poderia ter aplicação prática ao meu "caso concreto"?

Não estaria na hora de perguntar ao Mestre se a sua compreensão acerca dos mandamentos de Deus não estaria contaminada por pressupostos equivocados?

"Vocês erram porque não conhecem as Escrituras e nem o poder de Deus!"



Pense nisso.

Cristina Faraon

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