sábado, 20 de outubro de 2007

Tolas comparações





A mania que temos de fazer comparações, muitas vezes nos leva a conclusões tolas. Aliás, a comparação em si frequentemente é tola.

Um exemplo de pergunta/comparação sem sabedoria está em Eclesiastes 7:10 "Não digas: Por que razão foram os dias passados melhores do que estes; porque não provém da sabedoria esta pergunta."

Durante muito tempo cometi o erro de me comparar com os outros - especialmente com o Apóstolo Paulo. O meu raciocínio: enquanto eu não estiver fazendo o que ele fazia e do jeito que fazia, posso me considerar toda errada. Note-se: meu padrão não a vontade de Deus para a MINHA vida.

A Bílbia conta a história de tantas pessoas diferentes nos mais diversos contextos! Missões, questões, temperamentos, momentos históricos ... E eu achando que o padrão único e verdadeiro era o apóstolo Paulo. Jesus não era exatamente um padrão para mim por Ele ser o próprio Deus encarnado.

Essas comparações me faziam sofrer muito. Jamais consegui transformar a minha vida em algo parecido com o que se vê em Atos dos Apóstolos. Ler esse livro, para mim, terminava sempre em amargura e sentimento de fracasso. Mas no fundo eu me perguntava: existe alguma coisa errada na minha percepção das coisas. A Palavra do Senhor gera vida e encorajamento, não o contrário.

Essa situação continuou assim por muito tempo até o dia em que o Senhor me fez perceber algumas verdades maravilhosas relacionadas a isso. Uma delas está em Marcos 5:15 em diante:

"... Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam."

Jesus amava àquele homem menos do que aos seus apóstolos? Ele era menos importante do que eles? A missão daquele homem em sua casa e entre os seus era menos importante do que a de João, Paulo ou Tiago?

Em uma guerra, uns são chamados para a frente de batalha mas outros são necessários operando o equipamento de comunicação, traçando estratégias, tratando dos feridos etc. Se todos fizerem com dedicação a sua tarefa, pode-se dizer de alguém "deixou a desejar"?
Pensando nisso meu coração foi se enchendo de paz. Percebi que João Batista não fez milagre algum e mesmo assim a respeito dele Jesus falou: "Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista..." (Mt 11:11). As pessoas também diziam que "... na verdade, (João) não fez sinal algum, mas tudo quanto disse deste homem (Jesus) era verdadeiro."

A Bíblia fala pouco em Maria, mãe de Jesus. Imagino que ela não tenha pregado nas praças nem nos montes. Talvez não tenha batizado ninguém - não sabemos. A Bíblia não menciona os milagres operados por Maria nem quantas pessoas se converteram com seu testemunho. Não importa. O Senhor propôs a ela uma tarefa e ela respondeu "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim conforme a tua palavra." Só. E esse "" tem imenso valor para Deus.

Foi maravilhoso eu entender que o que importa é eu florescer onde Deus me plantou.

Deus não quer me transformar em Paulo nem em Maria nem em Pedro ou João. Ele quer apenas que eu seja a Cristina que ele fez, guiada pelo Espírito Santo. Basta eu fazer aquilo que Ele me mandou fazer no dia que se chama HOJE. Se minha disposição diante de Deus for essa, estarei fazendo 100% do que Ele quer.

É rematada tolice nos compararmos com Paulo, Apolo, José, Maria, Caio, Filipe, Enoque, Billy Graham, Pedro, Débora, Priscila... Se tudo o que nos vier às mãos para fazer, nós fizermos com toda a dedicação, teremos cumprido nossa missão.

Aquele homem que fora endemoninhado, vendo as maravilhas de Deus, quis ser um dos doze. Não precisava; bastava que ele fosse simplesmente um homem fazendo o que Jesus mandou.

Cristina Faraon

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