quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O "Jeito Jesus" de Ser




"Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios. Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu." Marcos 3:14-19

Não sei dizer como outros se sentem em relação a este texto, mas para mim ele mostra mais uma faceta interessante do "jeito Jesus de ser" - e não tem nada a ver com o Cristo sorumbático que assombra algumas igrejas. Esse episódio nos mostra o Jesus bem humorado.

De onde tirei isso? Vejamos:

Tiago e João, como nós, não eram perfeitos. Na verdade eles eram muito "esquentados". Certamente precisariam ser moldados pelo Espirito Santo para crescer em paciência e mansidão. Não duvido de que isso tenha acontecido ao longo de suas vidas cristãs. Mas Jesus, logo de cara, reparando o jeitão deles, resolveu apelidá-los de "Boanerges" - filhos do trovão. Não é até engraçado?

Alguns entendem a vida cristão como um eterno exercício de auto flagelamento. Confundem aquela prática doentia (certamente) e medieval (nem tanto) com o saudável "morrer em Cristo".
Numerosos cristãos acreditam piamente que Deus se compraz sadicamente quando contemplamos longa e amarguradamente nossas próprias limitações, nossas características humanas e nos maldizemos, maldizemos e maldizemos. Quanto pior eu me sentir, mais agradável serei diante de Deus. A isso chamam de "saúde espiritual". Credo! Sentir-se bem, na maioria das igrejas, equivale a "ter a mente cauterizada".

O Espírito Santo ilumina nosso interior de forma que nos enxerguemos e nos deixemos aperfeiçoar. Tudo isso sem neuras.

Jesus tratou com paciência e uma certa dose de bom humor o jeito esquentado daquela dupla de irmãos. O Senhor sabia todo o caminho que eles ainda iriam trilhar, sabia a maravilhosa obra que seria operada pelo Espírito de Deus em suas vidas, sabia que para tudo existe um tempo: não só para uma semente brotar mas também para alcançarmos a estatura de varões perfeitos. Ele conhece a nossa natureza e a natureza de todas as coisas. Conhece o nosso tempo particular, nosso jeito especial de ser - e mais: CONHECE TUDO O QUE AINDA PODEMOS SER E SEREMOS EM SUAS MÃOS. Sabe o nosso potencial. Sabia do potencial de Tiago e João.

Sabendo disso tudo, não se ocupou em fazer com que os "Boanerges" se sentissem mal em ser como eram. Eles foram, antes de tudo, ACEITOS. Jesus não fez vista grossa para com os defeitos deles! Mas primeiro os chamou e os acolheu - depois os aperfeiçoou.
Já cheguei a desejar presentear vários cristãos com aqueles chicotinhos que os religiosos usavam na idade média para ferirem-se por causa de seus pecados. Aquela prática horrorosa continua a existir em muitos meios evangélicos, só que no nível emocional. Não é menos doentio.
A maravilhosa graça de nosso Senhor Jesus Cristo precisa ser pregada não só para os incrédulos mas, também para os "crentes". A verdade não só liberta como também cura. De dentro para fora.

Obs.: quem preferir os tais "chicotinhos", procure na internet. O Google é um ótimo site de buscas!

Cristina Faraon








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