segunda-feira, 4 de junho de 2007

Aquele olhar...

Domingo a noite estivemos celebrando a Ceia do Senhor.

Naquela ocasião voltamos nossa mente para a cena da última ceia de Cristo com seus discípulos.
Sabemos do pão e do vinho. Sabemos da vontade do Mestre, de que sua morte fosse rememorada sempre, até que ele retornasse a nós. Sabemos do desconforto de Judas ao saber que o Mestre sabia.

Mas o que sabemos dos intensos sentimentos de Jesus naquela ocasião?

Quantos sentimentos fervilhavam em seu coração enquanto ele olhava para cada um de seus discípulos! Cada coração ele conhecida profundamente, sabia das histórias, dos medos, das ânsias humanas, do amor que lhe devotavam. Sabia também dos limites desse amor humano mas nem por isso os amou menos. Sabia da traição iminente de Judas e do desespero que se seguiria a isso. Sabia do medo de Pedro e das lágrimas amargas que em poucas horas derramaria. O Bom Mestre olhou para cada um daqueles amigos e viu o quanto seriam cheios do Espírito, o quanto viajariam, fugiriam, se alegrariam, chorariam... Sabia quem iria envelhecer, quem iria envilecer e os que cedo teriam seu sangue derramado. Quantos milagres ainda veriam, quantos novos irmãos ainda abraçariam, quantas algemas, quanta revelação de Deus!

Que sentimentos surgiram no coração de Jesus ao saber tanto?

"... sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. " (João 13:1)

Nós, também reunidos na presença de Cristo, somos igualmente conhecidos por ele. Sobre nós paira o mesmo olhar de amor e conhecimento. Ele sabe do longo caminho que nos trouxe até o Caminho. Ele sabe todas as lembranças que nos vêm à mente enquanto tomamos o pão e o cálice; conhece nossa gratidão e vergonha, alegria e ansiedades. Somos perfeitamente conhecidos pelo Senhor e o seus olhos sobre nós não são menos amorosos do que naquela última ceia, quando João recostou a cabeça sobre seu ombro. Ele sabe, entre nós, os que permanecerão firmes até o fim, os que brevemente experimentarão grandes alegrias e os que precisarão passar por vales escuros nessa vida. O mesmo olhar sobre nós. O mesmo cuidado e a mesma consolação: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." (Mt. 28:20)

Ao partir o pão Jesus não amou menos a Judas, não amou mais a João, não desprezou Pedro. Ele sabe de cada um de nós como sabia de cada um deles.

Maravilhosa graça!

Cristina Faraon

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