sexta-feira, 27 de novembro de 2015

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ame a quem você vê


A grande realidade é que a tarefa do coração não é “ACHAR" uma pessoa amável para amar (tenha sido isto uma dádiva ou uma escolha) e ser capaz de continuar amando-a, não importando o quanto aquela pessoa mude em relação ao objeto-sujeito que um dia foi quando se começou a amá-la.
 De fato ninguém tem que ACHAR tal pessoa, basta não fechar os olhos a fim de não vê-la.
“Amar” é amar a pessoa que você vê!
 Foi exatamente isto que João, o apóstolo, nos ensinou, quando disse: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (I Jo 4:20).
 Neste ponto, talvez valesse a pena a gente dar uma olhada no olhar de Jesus a Pedro, quando este o traiu na casa do Sumo-sacerdote Caifás.
Que outro olhar foi mais curador e divino?
Que olhar foi aquele? Terá sido um olhar repelente ou de rejeição?
 Certamente aquele olhar deve ter sido como muitos que recebi de meu pai e de minha mãe quando minhas ações me botavam em perigo.
Quando isto acontecia, o olhar deles não me falava de rejeição, mas de amor que queria me preservar para a vida, e me livrar de perigos.
 A questão é: Pedro estava em perigo ou estava se salvando do perigo?
 Poucos de nós entendemos de fato o significado de um dia haver traído um amigo, nesse caso, “O” Amigo.
Eu já fui traído por amigos centenas de vezes e sempre percebi que quem corria o maior perigo eram eles, não eu.
Também, quando traí, soube na carne como é o traidor e, também, que é o traidor quem sofre a mais infernal de todas as dores... Aquelas mesmas que levaram Judas a se matar.
Bem, isto para quem não “pedrou”... e perdeu a consciência para a cristalização em estado rochoso!
 Pedro Pedra! O que salvou você de ficar tão pedrado?
 O problema é que quando nos sentimos traídos e desprezados – sangrando sem poder estancar a dor – nem sempre nos damos conta de que quem corre risco é o traidor.
Todavia, Jesus viu isto claramente.
Ele viu.
Ele olhou.
Ou melhor: Fitou!
E o que ele viu?
Um traidor?
Um covarde?
Um ser sem raízes?
Não!
Ele viu um amigo em grande perigo!
Jesus não julgou que Sua causa estava perdida para sempre, apenas porque o amigo com o qual Ele mais contava não viera em Seu socorro.
Ele amava uma alma mais que o mundo inteiro!
O amor de Jesus por Pedro foi tão ilimitado que, amando a Pedro, Ele amava a pessoa que Ele via e que era real, não uma "projeção".
Nossos amores, na maioria das vezes, são idealizações; por esta razão não sobrevivem à traição.
 Jesus, todavia, jamais diria: “Pedro, você agora terá que me demonstrar, através de muitos anos de claro arrependimento, se você me ama ou não. Então veremos como vai ficar...”
A resposta dos olhos de Jesus só pode ser entendida pelo resultado obtido na vida de Pedro.
 O que teria então dito Jesus com o olhar?
- “Pedro, meu amigo; você é Pedro, o meu amigo; e eu amo você.
Tenha meu amor neste instante; porque se alguma coisa há de lhe ser útil agora, é a certeza de meu amor por você.
Somente meu amor poderá fazer de você um Pedro mais Pedro ainda.”
Jesus não ficou “de mal” com Pedro até que houvesse a demonstração de que aquele amigo da praia tivesse se tornado, indubitavelmente, outro homem.
Ao contrário, Ele preserva a amizade incondicionalmente; pois é em tal amor que o traidor pode encontrar redenção.
Ou será que alguém tem a pretensão de pensar que haveria um “outro caminho” para a salvação de Pedro?
Se houvesse; Jesus o "desconhecia"!

Nossa estupidez é tão grande que quando acontece de um amigo “mudar para pior” (conforme nosso entendimento) nós pensamos que isto nos desobriga de amá-lo.
Pobres e cegos que somos...
O verdadeiro amor só conhece o seu próprio caminho; e é somente nele que se pode “salvar” o traidor sendo seu amigo! Especialmente, depois da traição!
Este, porém, é o Caminho de Jesus.
Nós temos a ousadia de ter nossos próprios caminhos; todos eles fundados nos mais “nobres princípios”.
O que Jesus está ensinando é chocante:
“Ame a Pedro na noite da traição, e o meu olhar sempre olhará você como você olhou para ele. Pois eis que em sua vida há muitas traições; e eu as vejo!”

Assim, não invente alguém para amar.
Ame a quem você vê. E, como é óbvio, amor aqui é Ágape¹ não é Eros².

Caio
http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02519

sábado, 16 de novembro de 2013

Se não forem muito longe...

" Então o rei disse: "-Se vocês não forem muito longe, eu os deixarei ir ao deserto oferecer sacrifícios ao Senhor, seu Deus. Orem também por mim."  Êxodo :28


É simplesmente assim: desde que não haja inteireza, dedicação, amor doador, devoção apaixonada, doação integral, sinceridade, conversão... desde que não haja nada disso, não seremos seriamente importunados pelo mundo na nossa decisão de servir a Deus. Um coração dividido o Diabo até aguenta. O que ele não suporta é uma pessoa realmente deixar o Egito definitivamente para trás.

Se não forem muito longe, podem ir todos os domingos à igreja. Podem ler a Bíblia de vez em quando, até fazer umas doações. Se não forem muito longe com isso podem até citar uns textos bíblicos que falam de amor e não confrontam ninguém.  O mundo aceita, até aplaude e pede oração se souber que daqui a pouco você vai estar de volta. Agora experimente fazer como João Batista, como Elias, como Paulo, como Cristo, que confrontava. Experimente fazer como a mulher que derramou perfume caro no pés de Jesus. Experimente deixar tudo, doar-se totalmente ao Evangelho e ao próximo, afastar-se de tudo o que for maligno, não aderir a nada que Deus não aprove.  Experimente e você verá a reação dos seus amigos.

Já pensou sobre isso?

"De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo serão perseguidos."  II Timóteo 3:12.

Cristina


A delicadeza no Evangelho

Somos muito tímidos em coisas nas quais deveríamos ser tão corajosos!

Há duas situações bem conhecidas que geralmente nos imobilizam: pedir perdão e demonstrar perdão.  Às vezes isso pode ser um tanto constrangedor tanto para quem é perdoado como para quem perdoa.

Nessa curta reflexão queremos evidenciar uma situação na qual Jesus mostra uma forma delicada e simples de "quebrar o gelo" entre amigos:

"Agora vão e deem este recado a Pedro e aos outros discípulos: "Ele vai adiante de vocês para a Galileia. Lá vocês vão vê-lo, como ele mesmo disse."  Marcos 16:7

Jesus já havia sido preso, humilhado e abandonado. E Pedro já havia agido vergonhosamente, naquele episódio em que traiu Jesus. Também já havia caído em si e chorado baldes de lágrimas. Talvez tenha perdido a noite de sono perguntando a si mesmo como seria dali pra frente. Ele ainda poderia ser chamado de "amigo do Senhor?"  Será que os outros discípulos ficaram sabendo da sua "pisada de bola"? Ele fora reprovado no teste final, no teste principal! Haveria forma de se penitenciar?  E Jesus? Morrera com aquela mágoa, decepcionado com o amigo?

Em uma atitude simples e extremamente delicada  Jesus apenas mandou um recado sutil de uma forma que ele entenderia: "Digam a Pedro e aos outros que eu tenho um encontro com eles na Galiléia."  "A Pedro e aos outros..."  Primeiramente a Pedro, o mais aflito e envergonhado dos discípulos. Como devem ter sido doces essas palavras ao seu ouvido! No recado ele foi destacado com tanto carinho! Jesus não precisou expor Pedro explicando aos discípulos o que acontecera. Não esticou a história, não "desenterrou defunto". Em poucas palavras conseguiu dizer tudo: eu te perdoei! Sigamos em frente! Temos um longo caminho juntos!

É maravilhoso quando recebemos esses recados de Jesus pra nós. Às vezes ele nos diz coisas sutis e muito intimas que só nós mesmo entendemos. Foi assim com Natanael também: "eu te vi quando você estava debaixo da figueira". Há uma linda explicação para essa passagem bíblica que não vou descrever agora mas também nesse episódio Jesus disse, na frente de todo mundo, coisas secretas do coração de Natanael. E ele faz assim com cada um de nós, basta que prestemos atenção.

Ao final desse texto sinto-me impelida a incentivar os leitores a fazerem, por seus amigos, o mesmo: ao perdoar nem sempre é necessário um sermão, um "eu não esperava isso de você!"  Nem sempre é necessária uma lição de moral. Nem sempre é necessário que os outros amigos fiquem sabendo. É possível demonstrar delicadamente que tudo aquilo ficou pra trás e o caminho à frente é o que importa. Um gesto, um convite, um sorriso em particular, podem quebrar todo o gelo. Vamos tentar?

Cristina

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Perguntas capciosas - Macos 12:14

Não é novidade que, de um modo geral, os crentes mais dedicados estão sempre vigilantes diante de alguma oportunidade para falarem da sua fé, do amor de Deus, de explicar coisas da Bíblia, do Reino dos Céus, da vida, da morte e tudo o mais. Só que nesse desejo de pregar muitas vezes acabam caindo em armadilhas. Frequentemente são criadas situações  maliciosas, com roupagem de diálogo e legítima curiosidade, mas que na verdade seu objetivo não é o conhecimento, mas pegar o outro em alguma falha ou simplesmente ridicularizá-lo.

Vemos na Bíblia que em momento algum Jesus se sentiu obrigado a dizer nada que não quisesse realmente dizer. Ele só falava o que convinha, só respondia a quem fosse aprender, só abria a boca quando achava que devia. Jesus não agia por provocação. Ele sempre foi o dono da situação. 

Jesus sabia a diferença entre curiosidade sincera e questionamento capcioso. Ele não tinha dificuldade alguma em deixar uma pessoa sem resposta, a ver navios, se achasse que deveria.

Precisamos aprender a andar na mesma liberdade e auto controle. Quantas vezes nos deixamos fisgar por perguntas maliciosas, de gente que só quer debochar e se divertir com uma situação de discórdia. 

Certa vez perguntaram a Jesus, depois que ele efetuou uma cura: "Com que autoridade fazes essas coisas?"  Não seria essa uma ótima oportunidade de "testemunhar"? Para muitos de nós, ingênuos, seria. Só que Jesus achou que aquelas pessoas não tinham interesse sincero no tema, então decidiu não atirar pérolas aos porcos. Ele respondeu: "Bem, vou fazer também uma pergunta para vocês e se vocês responderem eu respondo a que me perguntaram. Digam: o batismo de João Batista era de Deus ou era dos homens?"  Os questionadores temeram responder porque se dissessem que era coisa de Deus, Jesus perguntaria: "Então porque vocês não creram?"  Mas se dissessem que era coisa dos homens também ficariam em maus lençóis perante o povo porque o povo respeitava muito João e acreditava que ele era um profeta. Então, espertamente, disseram a Jesus: "Não sabemos responder essa pergunta." Ele, por sua vez, disse: "Então também não digo com que autoridade faço as curas." E pronto. Ele não revelava as profundezas de Deus para pessoas que não queriam saber de Deus. 

Vemos outra situação onde as pessoas queriam fazer Jesus se enredar com declarações comprometedoras. Foi quando, depois de muitos elogios para preparar o terreno e cegar o Mestre - essa tática funciona muito com os seres humanos - eles perguntaram se era correto pagar imposto a César.  Ora, os judeus estavam sob domínio romano. Se Jesus dissesse que era errado, seria visto como se estivesse se insurgindo contra Roma e incitando a desobediência. Se dissesse que era correto, seria visto como alguém que estava traindo o próprio povo, seus patrícios que odiavam o dominador romano. Jesus respondeu sabiamente e a conversa encerrou ali. "Vocês devem dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." 

Acredito que precisamos dessa sabedoria, de encerrar conversas infrutíferas. Podemos gastar muitas horas com quem tem o coração sincero, como Filipe com o eunuco. Ou podemos deixar os "espertinhos" pra lá, sem resposta. Não estaremos incorrendo em erro. 

Claro que é difícil não entrar em uma discussão cujo assunto mexe tanto com o nosso emocional. Mas podemos aprender a não morder as iscas de Satanás. Não precisamos estar ansiosos por coisa alguma, nem mesmo para testemunhar!  Porque a ansiedade é  uma péssima orientadora. 

Nem toda pergunta MERECE ser respondida.

Cristina

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Salmo 73:1

"Na verdade, Deus é bom para o povo de Israel, ele é bom para aqueles que têm um coração puro."

Esse é um salmo de Asafe. Aqui ele abre o coração da forma mais autêntica e humana possível: "Os maus não sofrem como os outros sofrem... ficam cada vez mais ricos...fazem planos para explorar os outros e o povo ainda vai atrás deles, crendo no que eles dizem! Faço força para entender isso mas não consigo!..."   Será que esses pensamentos "pouco espirituais" nunca passearam pela nossa cabeça?

Uma das coisas que me consolam nesse Salmo é quando percebo que ele foi escrito para me acalmar. Está registrado para que eu perceba que meus sentimentos não são novos: muita gente já se sentiu como eu, já pensou o que pensei e nem assim foram rejeitadas por Deus. Ele sabe como nos sentimos! Por isso inspirou Asafe a escrever esse texto, a fim de que eu soubesse que não preciso explicar ou tentar me justificar. Deus nos entende. Nós é que não o entendemos.

Observando a situação no mundo hoje podemos ser levados a pensar que Deus não é bom. Tanta desgraça acontecendo!   Toda a mentira de Satanás tem justamente essa finalidade: convencer-nos de que Deus não é bom.  No Éden o inimigo insinuou a Eva que as motivações de Deus não eram boas: "Pare com isso, Eva! Claro que você não vai morrer se provar desse fruto! Deus inventou essa história porque não quer que você seja como Ele, conhecendo o bem e o mal, entendendo  mundo! Ele quer que vocês sejam sempre tolos!"

Mas Deus é bom. É bom PARA AQUELES QUE TEM UM CORAÇÃO PURO.

Afasto aqui a ideia de retribuição. Quero frisar uma outra maneira de entender o texto. Minha paráfrase é: "Somente a partir do momento em que somos purificados é que conseguimos perceber a bondade de Deus. Antes disso, não. Os que tem o coração puro, só eles entendem que Deus é bom. Os demais sempre colocam isso em dúvida."

Esse coração puro de que fala o texto só conseguimos no convívio com Deus. Comunhão. Temos que nos expor a Ele assim como as roupas brancas perdem suas manchas quando expostas ao sol. Precisamos "quarar" na presença de Deus.

Há uma promessa linda para aqueles que buscam ao Senhor. Aqui não me refiro a prosperidade, a vida eterna, a paz, não me refiro a adquirir poder espiritual. O que estamos frisando no momento é que a proximidade com Deus afugenta as nossas inquietações, acalma o nosso espírito. A proximidade com Deus nos faz perceber coisas, entender intuitivamente os mistérios.  Não adianta explicar certas verdades ao mais culto dos incrédulo. Há coisas que só entendemos com o coração. Há realidades que só fazem sentido quando saem da boca de Deus.

"Porém, quando fui ao Templo, entendi..." 

"Templo" pode ser interpretado como qualquer lugar que eu eleja para buscar a Deus. O tempo pode
ser a minha sala, pode ser o prédio onde os crentes se reúnem, pode ser qualquer cantinho onde, particularmente e em sinceridade, eu busque a presença do Senhor. Só ali, através da exposição ao Sol, poderei purificar meu coração. Só a partir desse encontro "clareador" é que poderei começar a entender.

Essa é uma das bênçãos direcionadas aos que buscam ao Senhor: acalmar o espírito e começar a ENTENDER.

Cristina

domingo, 28 de abril de 2013

Força de expressão

Nossa comunicação está repleta de figuras de linguagem, jogos de palavras e "forças de expressão." Por exemplo, quando eu falo para alguém que "a minha mãe fez aniversário" estou usando uma "força de expressão". Igualmente, quando falamos "a minha igreja", "o meu colégio" ou "o meu clube" acontece mesma coisa: nem a igreja, nem o colégio nem o clube nos pertencem. O termo "meu" é só uma forma de me expressar que não deve ser entendida ao pé da letra porque não condiz com a realidade.

Da mesma forma, quando dizemos que estamos "fazendo a obra de Deus", entendo isso como uma força de expressão. Nós não fazemos a obra de Deus. A obra de Deus é Deus quem faz e ele dá conta de tudo sozinho. Veja o que diz Isaías:

"Viu que aí não existia pessoa alguma, e admirou-se de que ninguém interviesse. Então foi seu próprio braço que lhe veio em auxílio, e sua justiça que lhe serviu de apoio." Isaías 59:16

Se Deus é onipotente - e é! - então por quê Jesus fez tanta questão que pregássemos o Evangelho?

Quando Deus quis salvar o apóstolo Paulo não havia nenhum evangelista por perto. Deus não ficou "em apuros" mas ele mesmo se revelou a Paulo e conquistou o teimoso rapaz. Sem intervenção humana.

"Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus." 1 Coríntios 3:9

O que é um cooperador? É aquele que opera junto com alguém. Cooperar é operar conjuntamente. E Deus precisa disso?

Jesus disse que "sem mim, nada vocês poderão fazer" - mas as pessoas entenderam errado e saíram ensinando que "sem nós, Deus nada poderá fazer."  Foram as bem intencionadas campanhas missionárias que nos convenceram disso, de que Deus depende de nós para converter as pessoas e que se não pregarmos elas irão todas para o inferno. Será que é assim mesmo?

É verdade, Deus não precisa. Não precisa, mas escolheu trabalhar conosco por um bom motivo. Ele queria nos mostrar o que é vida abundante e vida abundante é vida com propósito, com um sentido, é vida que transborda para os outros.

Quando anunciamos Jesus, a primeira coisa que acontece não é a salvação dos ouvintes: é a salvação dos pregadores. Quando co-operamos com o Senhor, a seiva dele passa a correr em nossas veias. Como está escrito, Ele é a videira verdadeira na qual fomos enxertados e é nesse labutar que essa seiva da vida abundante passa para nós e altera tudo!  Co-operar com Jesus salva nossa alma da frieza, da futilidade, da falta de perspectiva. Salva nosso emocional de uma visão distorcida da vida e das pessoas, salva-nos do lixo do sistema mundano, salva-nos do inferno interior.

Lavoura de Deus sou eu! Cristo nos mandou pregar o Evangelho em primeiro lugar para dar sentido à nossa vida.

Hoje estou convencida de que embora Jesus quisesse - e quer - salvar o mundo, ao nos escolher como cooperadores ele estava nos vendo como os alvos primeiros dessa obra.

Quando ajudamos alguém, dificilmente podemos ter certeza de que estamos mudando alguma coisa, ajudando de fato. Às vezes corremos o risco de recompensar a preguiça, premiar a irresponsabilidade. Às vezes podemos até estar dando dinheiro para alguém que vai gastá-lo no vício. Jesus não sabia disso? Sabia. Então porque ele disse "Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te pedir emprestado" !?  Mateus 5:42.   Por que não nos mandou verificar primeiro se a pessoa faria jus à nossa ajuda? A resposta é simples: porque essa é uma questão secundária. Ele quer primeiro nos curar.

"Dá a quem te pede...Ama os inimigos... Perdôa...Anda a segunda milha..."  Lemos coisas como essa e deduzimos que Deus está mais preocupado com os outros do que com nossas emoções e nossos direitos.

Se eu perdôo, não estou beneficiando ao ofensor!  Se você reparar, raramente seu perdão resulta em algum benefício objetivo ou palpável para o ofensor. Geralmente ele não serve para nada, não pode ser visto, tocado ou usufruído. "Perdôe" não quer dizer  "beneficie  os outros, agrida-se, sinta-se um tolo porque eu gosto disso". Quando Jesus diz "Perdôe" ele está nos dando um mapa para a felicidade. É a mesma coisa que dizer "deixa os mortos enterrarem seus próprios mortos. Quando a ti, segue-me!"

Co-opere com Deus. Não só porque o mundo precisa, mas porque VOCÊ precisa mais do que todo mundo. Essa é a seiva da vida.  A vida que chega aos frutos, passa primeiro pelos galhos. Nós somos esses galhos:

"Eu sou a videira, vocês são as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada." João 15:5

Quando estendo a mão, oro pelas pessoas e anuncio a Palavra, eu sou a primeira pessoa a ser alcançada pela salvação. Sou a primeira a ser agraciada, assistida, amada, sarada. À vezes o outro é grandemente abençoado mas às vezes não. Ele pode se fechar para Deus, ele pode não querer, ele pode jogar fora a oportunidade. Mas e quanto a mim? Quanto a mim nada estará perdido jamais!

Às vezes tudo o que fizemos parece ter ido para o ralo, mas não é verdade. Ainda que o resultado não tenha sido visto na vida do outro, na minha vida  o resultado será incomensurável.

É certo que assim como a chuva que cai na terra não volta para o céu sem antes regar a terra e fazer florescer seus frutos, a palavra de Deus quando é anunciada por mim jamais retornará ao aconchego do meu coração sem antes ter operado o milagre da vida (Isaías 55:11).

Primeiro você.  Essa é a bênção de que vai.

C.F.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Deixa a vida me levar



Uma das coisas que me impressiona é a tendência que grande parte dos cristãos têm, de interpretar as coisas sempre pelo sentido mais sombrio. A maneira mais pesada e cruel de interpretar a Bíblia é sempre vista como  "a maneira de Deus."  Se existe uma forma mais branda de entender um texto, ela só pode vir do Diabo.

Particularmente gosto muito dos sambas do Zeca Pagodinho, mas não foram poucas as vezes que vi cristãos corrigindo quem canta essa famosa música: 

Deixa a Vida me Levar

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
(a vida não está boa, irmão? Vai reclamar contra Deus?)
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
(não há nada de nobre em nós! Somos pecadores e temos que viver nos amaldiçoando)
Foi assim que Deus me fez...
(ah, a culpa é de Deus!? Você não reconhece seus pecados?)
E deixa a vida me levar
(Como assim? O servo do Senhor não é "levado pela vida"! Quem dirige nossos passos é Deus! Crente não entra nessa de "deixa a vida me levar"!)
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
(Acreditar em destino é eximir-se de responsabilidade. Daqui a pouco você vai estar acreditando em horóscopo. Pare com isso, irmão!)
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu...

(Mentira do Diabo! Deus te deu tudo o que você precisa, seu ingrato!)
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
(trancos e barrancos? Crente anda é de vitória em vitória. Quem vive aos trancos e barrancos são os perdidos)
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!) ...

Parece brincadeira  mas nada do que eu disse aqui é exagero. Esses dias mesmo, no Facebook, um pastor me advertiu contra essa coisa de "deixa a vida me levar" .   Eu Postei a frase "Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu", aí o pastor comentou:  “Só não deixa a vida te levar não, irmã!".   Então, para “tranqüiliza-lo”, tive que explicar:  “a não ser que eu deixe a Vida, com  letra maiúscula, me levar, né?”  Aí ele disse, aliviado: “ah sim!”   

Por quê será que, ao ouvir uma canção, a última coisa que vem à cabeça de algumas pessoas é o bem? Por quê, entre tantas possibilidades de interpretação, ele preferiu entender que o autor louvava um modo irresponsável de encarar a vida? Por quê nem de longe lhe passou pela cabeça que alguém poderia cantar essa música pensando no Autor da Vida e pedindo para ser guiado pelos caminhos da Vida, não pelos caminhos da morte? 

Por quê não podemos ver bênção em tudo? Por quê não podemos interpretar as coisas de forma benigna e divertida?   Por quê toda vez que uma afirmativa comporta mais de uma interpretação, os cristãos acreditam que a interpretação "de Deus" tem que ser sempre a mais pesada, mais difícil, mais mal-humorada?

Por quê, ao invés de ver Deus em tudo, as pessoas tem mais facilidade em ver Diabo em tudo?

O que estão ensinando por aí? Quais vícios mentais nos impedem de entender a Bíblia com mais  leveza e graça?  Em qual momento perdemos essa capacidade, essa singeleza? De onde veio esse azedume?

Para terminar, peço que você apenas reflita nesse dois textos bíblicos:

"Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!"  Mateus 6:23

"Para os puros, todas as coisas são puras; mas para os impuros e descrentes, nada é puro. De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas."  Tito 1:15

Cristina Faraon

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Críticas

"As cartas dele são duras e fortes, mas ele pessoalmente não impressiona, e a sua palavra é desprezível".2 Coríntios 10:10

Esse era o comentário que os fãs de Paulo faziam depois de conhecê-lo pessoalmente. Fico imaginando o que eu sentiria se essas palavras se referissem à minha pessoa.

Nem todos estamos prontos para enfrentar essa avaliação crua. Talvez Deus não tenha lhe colocado onde você queria justamente por isso: para poupá-lo de situações pesadas demais.

Às vezes romantizamos o ministério da Palavra. Olhamos a vida dos pregadores, observamos elogios e aplausos e imaginamos o quanto deve ser bom ser tão amado. Só que nem sempre as coisas acontecem desse jeito. Quem prega a Palavra tem uma vida cheia de desafios e a primeira coisa que a pessoa aprende é que tem que sentar na primeira fila de cadeiras da sala de aula e se empenhar para aprender primeiro que os outros as lições mais dolorosas. 

Conviver com a expectativa dos ouvintes não é fácil.  A maior tentação de quem prega  talvez seja exatamente essa: ser eficiente, envolvente e corresponder àquilo que a plateia espera. Quando a avaliação de Deus ganha um caráter secundário, é o começo do fracasso.

Um obreiro que não esteja bem resolvido com suas emoções enfrentará grandes dificuldades. Ou seja: todos enfrentarão.  Só que essas dificuldades são as vitaminas que o farão amadurecer. 

Se você estiver o tempo inteiro olhando nos olhos do seu interlocutor na esperança de encontrar simpatia e aceitação, sua mensagem será abafada pelas suas carências e não surtirá efeito.  

Libertar-se disso é o primeiro degrau para o seu amadurecimento. "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."

Cristina Faraon 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tudo de novo?

Em cada início de ano ouvimos as pessoas dizerem: "Agora começa tudo de novo!" Dizem isso com um ar entediado, como se fossem ver um filme já visto, como se já soubessem toda a trama e como tudo vai terminar. Mas não é assim! Cada ano que se inicia é realmente novo e se você reparar, nada se repete. Às vezes gostaríamos muito que alguns momentos preciosos se repetissem infinitamente, mas isso não acontece. Tudo muda, independentemente da nossa vontade. Novas pessoas surgem em nossas vidas enquanto outras se afastam. Velhos planos são modificados ou abandonados e novas idéias surgem, cheias de promessas. Agora, em 2013, não vai "começar tudo de novo". Olhe para a frente! Nada se repetirá! Valorize 2013 com seus momentos, pessoas, acontecimentos, porque em 2014 muitas coisas que você gosta, hoje, fará parte do passado. Quinta feira, dia 03 de janeiro de 2013 estaremos juntos buscando ao Senhor e saudando, com fé e alegria, essa nova etapa da nossa vida. Espero você! Valorize nossos momentos porque nunca saberemos até quando os teremos.

Cristina